A Psicanálise e os Estados Depressivos

31/10/2015 09:04

Introdução:

O objetivo deste texto é apresentar a diferença entre a depressão propriamente dita e alguns sintomas dos estados mentais que apresentam manifestações clínicas semelhantes, ao qual chamamos de estados depressivos.

É fato que os tratamentos com abordagens cognitivo-comportamentais que atuam na mudança dos pensamentos, comportamentos e crenças dos pacientes portadores de patologias dolorosas também apresentam seus benefícios. Além disso, a Medicina e Psiquatria têm excelentes resultados no tratamento de depressão crônica quando diagnosticada, com a posologia de antidepressivos tricíclicos ou com benzodiazepínicos, pois estas intervenções farmacológicas utilizadas já ocupam um lugar de destaque no tratamento da depressão.

O importante é destacar que os quadros clínicos de depressão vêm aumentando consideravelmente e que não se manifestam de forma evidente, mas sim por meio de um estado de continua apatia, estados vegetativos, mudanças de hábitos, ou ainda por manifestações equivalentes como hipocondria, pelo alcoolismo, transtornos alimentares, entre outros sintomas.

Pacientes com depressão no contexto médico é bastante comum conforme destaca Rachman (1996).

Embora não será tratado neste texto sobre a psicosomática, vale ressaltar que Violon (1992), descreveu em seus estudos que 56% de seus pacientes com estados depressivos, acreditavam que tais sintomas fossem de causa somática o fator que precipita a dor, ou seja, pacientes que já estavam depressivos antes do evento físico.

Segundo Ivan (1987), A OMS nesta década já condiserava que 3 a 5% da população mundial sofre de depressão.

Zimerman (2004), descreve que a cada 10 tratamentos psiquiátricos, pelo menos cinco tem origens em causas depressivas.

 

A diferença entre depressão e estados mentais depressivos

Embora a depressão apresente sintomas muito parecidos com os estados depressivos, só pode ser diagnosticada e definida pelo CID 10 (Classificação Internacional de Doenças, capítulo V  - Transtornos Mentais e Comportamentais – F30 ao F39 – Transtornos de Humor) e quem está apto a prescrever medicamentos é o Psiquiatra.

Entretanto, Segundo Zimerman (2004), utiliza uma corrente de pensamento que considera três tipos de depressão:

1.    Atípica: Quando há uma “depressão reativa” ou mesmo neurótica, resulta de alguma forma uma crise existencial, por razões internas ou externas.

2.    Endógena: Resulta de causas orgânicas e manifesta-se pela sintomatologia típicas como unipolares ou bipolares, que podem ter um pólo oposto, ou seja de “natureza maníaca”. Estas podem serem desencadeadas por fatores ambientais.

3.    Distímica: esta denominação corresponde a depressão crônica.

 

Sintomas da depressão:

Abaixo destaco algumas “falas” ou seja, a voz do Ego que manifesta-se de forma consciente, outras de forma inconsciente.

De acordo com Morais (2013) Pode-se perceber nessas “falas” os sentimentos de angustia, melancolia, tédio, pessimismo, desalento, situações que predominam o estado de humor do sujeito”. Um estado de “ruína” em que a pessoa se encontra e muitas vezes não compreende.

- “Não aguento mais, acabou o mundo para mim”;

- “Existe um Vazio em mim, e não sei o que é”;

- “Isso vai passar, mas quando eu quiser. Mas antes todos precisam saber que eu sou frágil”    

(extraído do blog: Lindalva Morais)

 

Uma paciente em sua sessão descreve: - “A ideia de que a vida perdeu o sentido é muito forte o tempo todo. Não consigo mais comer, nem dormir e não sinto vontade de sair da cama. É um vazio que não consigo explicar.”

Lindalva Morais em seu Blog relata que também há casos clássicos de histeria, uma forma para evidenciar suas tristezas, solidões, tais mecanismos servem para induzir, atingir algum objetivo específico (consciente ou inconsciente). Aproveito este contexto e cito como exemplo as pessoas hipocondríacas. Tais pessoas não vivem querendo chamar a atenção.

Zimerman (2014), descreve que os estados depressivos variam intensamente de grau, muitas vezes, os mais graves aparecem como delírios de ruínas, como o suicídio. Entretanto, os sintomas mais comuns são:

§  Sentimentos culposos sem causa definida;

§  Intolerância à perdas e frustrações;

§  Alto nível de exigência consigo mesmo, ou seja, querer estar a altura do ser amado;

§  Baixa auto-estima;

§  Autodenegrimento;

§  Sentimento de perda do amor por parte dos outros;

§  Sensação de ser um fracassado;

§  Sensação de que nada mais vale a pena;

§  Vazio existencial;

§  “Vazio de mãe”; (explicado em oportunidades futuras);

§  Idade avançada;

§  Ruptura de papeis designados; (ideal do ego);

§  Fracasso narcisista; (sofre diante das determinadas demandas para obter sucesso, dinheiro, poder, prestígio, etc);

§  Pseudodepressões (pessoas que passam a vida toda aparentando desmorilização e desmerecendo-se, devido a diversas rações como por exemplo o medo de ter sucesso porque vai atrair pessoas invejosas. Entre tantas outras.

 

Em um processo terapêutico torna-se necessario diferenciar a depressão propriamente dita de outros estados mentais que apresentam tais semelhanças.Além dos sintomas apresentados, vale destacar os mais evidentes:

§  A tristeza, que é um estado de humor afetivo, que pode ou não estar presente na depressão.

§  O luto, segundo Zimerman (2004), é um período necessário para elaboração de um objeto perdido. Objeto amado.

§  A melancolia, neste caso, o objeto amado perdido foi introjetado e processou-se de forma muito conflituosa.

§  Já a posição depressiva segundo o autor, é um processo adquirido durante a terapia, embora doloroso é necessário para compreensão dos aspectos que estão dissociados de sua personalidade, cito por exemplo a culpa devido a um superego muito rigoroso.

§  A depleção sobre o viés da psicanálise, são os vazios existenciais que estão a espera para serem preenchidos.

 

A terapia Psicanalítica neste caso, contribui para auxiliar o paciente no processo de identificação das causas que o conduziram a esses estados depressivos.

"É parte da cura, o desejo de ser curado". Sêneca

 

Prof. Paulo é Psicopedadogo e Psicanalista. (11) 9.8898-9496

 

Referências:

ANGERANI, Valdemar Augusto. Psicossomática e a psicologia da Dor. 2 ed. São Paulo. Pioneira. 2012.

ZIMERMAN, David E. Fundamentos Psicanalíticos. Porto Alegre. Artmed, 1999.

http://lindalvapsicanalista.blogspot.com.br/2008/05/estados-depressivos-no-o-mesmo-que.html


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